sexta-feira, 28 de janeiro de 2011


Decreta-se que nada será
obrigado nem proibido
tudo será permitido.
Sobretudo brincar
com os rinocerontes
e caminhar pelas tardes
com uma imensa begônia
na lapela
Só uma coisa fica proibida:
AMAR SEM AMOR.

Thiago de Mello

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Assim me veio*


Aquece as verdades
Pressente o vento
Goteja o desejo
Esgota

*Observando a lua, ao som de Parijat

domingo, 16 de janeiro de 2011

Gavetas



Andou pelos montes
Subverteu imagens
Abraçou as nuvens
Relampejou verdades
Ancorou as dores
Coroou amores
Sustentou as luzes
Festejou as vozes
Semeou coragens
Esqueceu acordes
Adotou os quases
Adentrou o quarto
Escutou as brechas
Abriu as gavetas
E foi feliz

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Canções através do tempo


Resolvi abrir o ano de 2011 publicando as letras de algumas músicas que escrevi desde 1999, quando comecei a me aventurar na arte da composição. Iniciei as postagens com a última, recém-saída do forno, Delírios Noturnos (o título ainda é provisório) e encerro com a primeira, Perdoe os erros, dos idos dos meus 17 anos.

Não são muitas, mas expressam sentimentos vários que povoaram meu coração em alguns momentos da vida. E o eterno romantismo da minha alma canceriana (risos). Lembrando que em 2007 também fiz a postagem de uma música composta naquele ano, Centelha, http://vitraisdotempo.blogspot.com/2007/09/nova-criao-centelha.html.

Como o mundo mudou tanto e tão rápido desde a 1ª, com as facilidades do mundo tecnológico e um pouco mais de maturidade e coragem de arriscar, espero em breve poder postar o áudio de cada uma.

Perdoe os erros (1999)


Na sala o perfume
que não se esquece
Em minhas lembranças
só um alguém aparece

Na estante retratos
tempo que passou
presentes carinhos
poemas de amor

As orquídeas murcharam
quem as deu não está
Perdoa os meus erros
e venha me amar

Posso dizer mentiras e fazer bobagens
É você quem manda no meu coração
Posso dizer mentiras e fazer bobagens
é você o dono da minha paixão

Erros eu sei que abrem feridas
palavras vazias
da alma inimigas
Perdão, amor, confesso que errei
por que não me diz
"tente outra vez?"
Amor humano não tem jeito não
mas mesmo imperfeito busca a perfeição

Posso dizer mentiras e fazer bobagens
É você quem manda no meu coração
Posso dizer mentiras e fazer bobagens
é você o dono da minha paixão

Não me leve a mal
só quero você
te amo demais
só você não vê
Erros eu sei que eu cometi
mas me dê uma chance de te ver sorrir

Anjo (2000)


Leve-me daqui entre risos e lágrimas
Em tuas asas
Pétalas para abrigar lindos sonhos
Sonhos são flores nos jardins da vida

Sou uma borboleta
bailo em tua graça
vem enlaça
minh'alma em teu sorriso de luz
cândido anjo vem me abençoar

Anjo
Anjo vem
Anjo
Anjo vem
Anjo
Anjo

Leve-me daqui entre risos e lágrimas
Em tuas asas
Pétalas para abrigar lindos sonhos
Sonhos são flores nos jardins da vida

Não me deixe só
pois sou tua criança
Vem me encanta
sou estrela do mar perdida nas areias
do teu coração
coração
coração

Anjo
Anjo vem
Anjo
Anjo vem
Anjo
Anjo

Se eu pudesse ser Deus (2000)


Hoje acordei lembrando do teu rosto
Lembrando do teu beijo
Sentindo o teu gosto
Andando pelas ruas da cidade cinza
Tantas gentes, caras, múltiplos destinos
Desejando entre tantos ver tua face
Olhos que me cegam num doce enlace

Ah se eu pudesse ser Deus recruzava
as linhas do nosso destino
Ah se da vida eu fosse a roteirista
o mundo inteiro dispensava
faria dela um filme de amor e de nós
os protagonistas

Me pergunto onde está você agora
A solidão machuca meu coração chora
Queria não precisar do seu carinho
Mas sou como uma ave e teus braços meu ninho
Só mais uma vez queria poder vê-lo
Sentir as tuas mãos passeando em meus cabelos

Ah se eu pudesse ser Deus recruzava
as linhas do nosso destino
Ah se da vida eu fosse a roteirista
o mundo inteiro dispensava
faria dela um filme de amor e de nós
os protagonistas

Eclipse (2005)


Cegos os dedos correm
pelos lençois a te procurar
sede que me devora
no teu desejo de se ocultar

Sobre teu corpo espraio as mãos
na certeza de entender
o verso que me conduza
ao jeito certo de prender

Me leva
Me leva
Me leva

Sombra tatuada
no peito aberto ao teu querer
Virgem do seu toque
a pele tarda a te esquecer


Me leva
Me leva
Me leva

Onde habitarão os teus desejos
Que espaços encherão tuas marés
Feitiço desse olhar em que espelho
A ânsia que me faz mulher


Me leva
Me leva
Me leva

Esfinge (2003)


Estrela
da natureza
dos teus presságios
tão ancestrais

Traz
o teu perfume como incenso
e joga como veu
Nas sombras luz
revela teus mistérios
Vai nas cachoeiras
das tuas paixões
tão verdadeiras
Ergue
mesmo das sombras tua beleza
Então mostra quem és
Devora quem
não te decifra
Então digo quem és

És
toda a grandeza
de um ser humano e imortal
Finge
tão soberana que me olhas
Então joga teu veu
Vela o mistério
que te evoca

Então digo quem és

Brisa (2004)


Olha a direção da brisa
como vem e traz
o teu perfume avisa
são os teus sinais
e vai seguir os rumos do meu coração
Áureo como um tesouro
onde está o teu
Segue como um canto leve
ao anoitecer
E cobre com teu manto
a me aquecer
Às tuas mãos me entrego
e deixo levar
naquela voz suave
a me ninar

Aiiiaeeeô
Aiiiaeeeô

Senta aqui sob as estrelas
e faz esquecer
as noites tão escuras
antes de você
No teu afago cura
os meus medos e
me ama com teu canto a me sorrir


Aiiiaeeeô
Aiiiaeeeô

Canta que eu me deixo entregue
ao teu enfeitiçar
como um barco solto
nas ondas do mar
E vai seguir as notas de uma só canção
Daquela voz suave a me encantar

Aiiiaeeeô
Aiiiaeeeô

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Sol Nascente (2002)


Canto, firo, fito a dança, calo
Caro é dor que explode
e me sucumbe no não ser
Quero colo
cela que me prende
sela aqui o pacto de nos ser

Seja assim tão lindo
Vem sorrindo, vem me vindo
Vela o barco
Volve esse temer

São espinhos
São caminhos
São Jorge me guarda esse querer
Leva leva me releva a treva
Me leva no sol nascente

Como eu te quero
Como eu te quero

Revelo os eus
Releva os breus
Só te entendo
porque só me vendo
Tempo só lhe dão
Quando estás só dentro de si
Meu relógio
forjo no escuro
Subo os muros, grito

Como eu te quero
Como eu te quero

Vocal

Só te entendo
porque só me vendo
Tempo só lhe dão
Quando estás só dentro de si
Meu relógio
forjo no escuro
Subo os muros, grito

Como eu te quero
Como eu te quero

Leva leva me revela em vela
Vela o meu veloz
Que te revelo, releva
Amor te calas
No peito reparas
A morte por não te ser

Como eu te quero
Como eu te quero

Vocal

Janela Aberta (2003)


Quando vi o teu olhar perdido
Na vaga impressão
De que nem teus sonhos
Te pertenciam, baby
Da janela vi teus passos
Escrevendo acasos
Como um verso impresso
na minha solidão

Vem aqui
me dá tua mão me salva
Liberta a minha alma
Vem aqui

Tua voz perdida em meio
aos que não se pertencem
Devolveu-me o chão no instante
em que nem pés eu tinha
E como uma janela aberta
ao que eu não entendia
O teu silêncio era a verdade
que eu não queria ouvir

Vem aqui
Acende a luz me salva
Devolve a minha alma
Que foi junto de ti
Vem aqui
Me dá tua mão me salva
Volta

Da janela vi o sol surgir
em plena madrugada
me deu medo mas era você
em face iluminada
E vi nós dois
como num sonho bom, real
mundo novo

sábado, 8 de janeiro de 2011

Delírios noturnos (2011)


Sei dessas ruas, dessas veias noturnas
Onde correm tuas horas
Se dedilham tuas rotas
E vão
Além
Sombras que transitam pelos vãos da memória
Teus domínios margeiam, o silêncio devoram
E seguem
Além

Carrossel
A girar
Por teus ceus
Onde irá

Sei dessas fúrias, dessas vias soturnas
Onde vão teus anseios
Se revelam sem freios
E seguem
Além

Sombras de desejos que se perdem na história
E do ventre lampejam desatinam demoram
O passo
Que não se dá

Carrossel
A girar
Por teus ceus
Onde irá