terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Processos Reflexivos

A partir de hoje escreverei sobre ti. Descobri que não consigo te alcançar como eu sempre desejei, enquanto eu simplesmente me deixo afogar por teus delírios - embora tantas vezes alucinantes e sedutores - e os incorporo em primeira pessoa. Também não adianta te tratar em terceira pessoa, como um eu distante que desenvolve suas ações diante de meus olhos.

Sou parte de ti. Mas destaco-me agora para me relacionar em diálogo. Assumo os riscos de uma compaixão nunca antes experimentada, para te resgatar dessas teias por onde teu corpo vem se perdendo. Não falemos de alma, por enquanto. Desprendamo-nos um pouco dessa realidade infinita para apenas focar nesse conjunto de células, que efetiva a existência nesta dimensão.

Ontem alguém lhe recomendou que você caminhe, percebendo seus pés no chão. Percebendo o mundo à sua volta. As borboletas azuis e os calangos muito verdes no parque. As epifanias diárias que rondam cada instante.

“A vida é uma alucinante aventura da qual jamais sairemos vivos”, dizia um tal Bob. “Nunca se leve tão a sério”, cantava um tal Lenine. E você concordava em silêncio, abraçando a íntima suspeita de jamais conseguir alcançar tamanha liberdade.

Eu me proponho a compartilhar contigo essas dores. A ajudar-te a descobrir onde teus laços com a existência se desfiguraram em amarras. A propôr as alquimias diárias que te ajudem a bordar novos laços. Reencontrar um eixo para teus pés. Onde eles sem medo e sem névoas caminhem. Soltos do ceu para desenhar infinitos.

Sobre Rios, Nuvens e Pessoas (autor anônimo)

Tenho uma boa história para contar. Imagine um riacho descendo do alto da montanha. Ele é muito jovem e quer correr. Seu objetivo é o oceano. Quer chegar lá tão rápido quanto possível. Quando alcança as planícies e o campo, fica mais lento. Se torna um rio. Fluindo lentamente, começa a refletir as nuvens e o céu. Há muitos tipos de nuvens, com diferentes formas e cores, e o rio passa todo o tempo as perseguindo, uma depois da outra. Mas as nuvens não ficam paradas. Elas vêm e vão. O rio chora muito, porque nenhuma das nuvens fica com ele para sempre. As coisas são impermanentes. Ele sofre devido a sua atitude e comportamento.

Um dia um vento forte limpou todas as nuvens e o céu ficou extremamente azul. Não havia absolutamente nuvens. O rio pensou que a vida não valia a pena ser vivida mais. Ele não sabia como desfrutar do céu azul. Ele o via como vazio, e sentia que a vida não tinha significado. Esta noite ele quis se matar. Como pode um rio se matar? De alguém não é possível se tornar ninguém. De algo não é possível se tornar nada. Durante aquela noite ele chorou muito. Este é o som da água batendo nas margens. Esta foi a primeira vez que ele voltou-se para si mesmo.

Até agora, ele tinha apenas corrido para fora de si mesmo. Ele pensava que a felicidade estava fora, não dentro. A primeira vez que voltou a si mesmo e ouviu o som de suas lágrimas, ele descobriu algo. Ele não sabia que um rio era feito de elementos não-rio. Ele estava perseguindo nuvens, pensando que não poderia ser feliz sem elas, e não percebeu que ele era feito de nuvens. O que ele estava procurando já estava dentro dele. Felicidade é assim. Se você sabe como voltar ao aqui e agora e perceber os elementos de sua felicidade que já estão disponíveis, não precisa mais correr.

De repente o rio percebeu que havia algo refletido nele: o céu azul. Ele vê o quão pacífico, sólido, livre e bonito o céu é. Ele não tinha percebido antes. Ele sabe que sua felicidade deveria ser feita de solidez, liberdade e espaço. Ele é preenchido de felicidade porque pela primeira vez soube como refletir o céu. Antes, ele havia somente refletido as nuvens e ignorado completamente o céu. Esta foi uma noite de transformações profundas. Todas as lágrimas e sofrimento foram transformados em alegria, solidez e liberdade.

Na manhã seguinte não havia vento. As nuvens retornaram. Agora ele as reflete sem apego com equanimidade. Ele diz “Oi” cada vez que uma nuvem aparece. Quando a nuvem se vai, ele não fica triste. Ele achou a liberdade. Ele sabe que a liberdade é a fundação da sua felicidade. Ele aprendeu a parar e não correr mais. Naquela noite algo maravilhosos se revelou. A imagem da lua cheia foi refletida. Ele está muito feliz dando as mãos para as nuvens e a lua, praticando meditação caminhando para o oceano. Cada passo, feito em conjunto com as nuvens e a lua traz ao rio muita felicidade.

Cada um de nós é um rio. Começamos como um regato descendo do alto da montanha, querendo correr o mais rápido possível. Então aprendemos como ficar mais lentos um pouco, e começamos a perseguir objetos de nosso desejo. Sofremos. Às vezes sofremos tanto que não queremos nem mais existir. Então temos a chance de voltarmos para nós mesmos e refletir profundamente. Percebemos que o objeto de nosso desejo é a causa de nosso desespero e das nossas aflições. Todos os elementos da felicidade estão disponíveis no aqui e agora. Temos tudo que precisamos. De repente conseguimos o tipo de liberdade que nunca tivemos e somos capazes de viver cada momento de nossa vida diária profundamente. Como nos tornamos um rio feliz, podemos ajudar muitos rios a nossa volta a se tornarem felizes também.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Expectativas (Autor anônimo)

Alguém podia nos ensinar a eliminar essa palavra dos nossos dicionários ainda na alfabetização!
O mundo seria tão melhor sem ela.
As pessoas seriam tão mais felizes sem ela.
Mas que diabo de neurose humana é a mania de esperar que todo mundo
corresponda àquilo que achamos certo e bom?
Ainda estou a procura de pessoas que consigam colocar isso em prática e me disponho a ensinar, rsrs.
Aposto que seremos todos mais felizes e descontraídos.
Me responda o que tem de bom em:
- Viver sob a expectativa de alguém?
- Esperar algo de outra pessoa?
Não é mais divertido encarar que tudo o que lhe derem é lucro e ponto final?
Esse mal da expectativa acomete mais ferozmente aqueles que decidiram se tornar um casal.
Primeiro decidiram colocar um rótulo na relação que ia de “vento em popa”!
Se já não bastasse quererem colocar um carimbo de propriedade sobre a outra pessoa, ainda esperam que com esse “carimbo” seja selado um contrato que determinará, a partir de então, como a outra pessoa deve agir no dia-a-dia.
O contrato diz claramente: Chegou a hora de abrir mão de sua individualidade em “prol” da relação!Tenho a impressão de que esse mal atinge as mulheres de uma forma mais avassaladora.
Vai ver é por que disseram que quando crescessem, elas teriam de encontrar um cara legal para casar e ter filhos.
Aí as coitadas passam a vida esperando pelo príncipe encantado e enquanto ele não aparece, ficam tentando transformar os sapos no meio do caminho.
Que coisa de doido!
Eu proponho uma coisa: uma semana de mudança completa das suas atitudes.
Não espere nada de ninguém. Faça você.
Gandhi disse o que eu considero uma das frases mais sábias do mundo:
“Seja você a mudança que deseja ver no mundo!”
Fantástico não?
Traduzindo pode ser:
Se espera que alguém vá te ligar, não espere. Ligue.
Ser quer carinho. Abrace alguém.
Se quer mais amigos, cultive-os todos os dias.
Fique feliz com a chuva, mesmo gostando mais de sol!
Que tal treinar isso por uma semana?
Tenho certeza que será, no mínimo, divertido
Tenha uma ótima vida