segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Mais uma canção (incompleta)

Viva o tanto que te aprecio
nas batidas do meu coração
Apague as velas
enquanto silencio
Me deixe morrer em vão

Viva o tanto que te aprecio
nas batidas do meu coração
Esqueça as trevas
Enquanto silencio
Que eu sou de morrer em vão
Que eu sou de morrer em vão

domingo, 4 de dezembro de 2011

Pedestre em Brasília*


Abre a porta do seu carro e vem
Larga a mochila, o I-phone também
Espera me diz onde cê vai me levar
No facebook vou compartilhar
Deleta a notícia da cabeça e veja
o céu a te abraçar onde quer que esteja
Veja os ipês em seus múltiplos tons
E os tons dos passarinhos
Desenhando canções
O horizonte a alargar a vista
Um botão que cerrado se anuncia
Vamos correr e alugar um balão
Pra ver a cidade sem os pés no chão

Seis horas, se liga, bate o ponto e vem
Esquece os ofícios, memorandos também
Estou atrasada para ir pra casa
Não dou conta do rush nessa Esplanada
Larga o carro e vem a pé comigo
Venha que o céu vai te dar abrigo
Adentra as cores do sol a se pôr
As nuvens em volta de uma nave em flor
Tira o sapato sem qualquer frescura
O vermelho da terra completa a pintura
Vamos correr e alugar um balão
Pilotar a cidade sem os pés no chão

*Uma música pra dizer que é possível ser pedestre em Brasília, com um pouco de poesia

Resposta a um Fraseado Musical*

A pele dos meus sonhos
habita uma canção que vai e vem
Ao me sussurrar desperta
Envolve-me no tempo e vai além

Onde vejo o céu cheio de estrelas
um banco, um carinho, um violão
Esse lento dedilhar
que nos fazia azuis
azuis da cor do mar
azuis da cor do mar
azuis do nosso olhar

*Rascunho para o Projeto Passos, inspiração in Um Fraseado Musical para o MinC

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Rascunhos

"Podemos criar laços sem amarras?"

A voz ecoava no interior de Catarina, enquanto seus olhos deitavam lembranças sobre a rua deserta. Do outro lado do prédio onde morava, vidas se moviam na mudez de suas solidões. O catador colhia pedaços de nada no contêiner, acompanhado de um cavalo cansado. O vazio se desenhava na quietude de todas as coisas, assumindo a forma dos últimos rastros de sol.
Os pensamentos sobrevoavam a sua percepção de realidade. Desviou o olhar do céu quase noite e voltou-o para o sofá. Tocou suas dobras, sentiu o desejo quase inelutável de abraçar o passado latente. "Sim, podemos criar laços sem amarras." A resposta veio na forma de um leve conduzir, abrir as portas, adentrar os labirintos das sensações. Desvendar a eternidade guardada em cada pulsação.


Era um hábito conversarem sobre o universo depois de fazerem amor. Catarina perguntava sobre as energias, os espíritos, Deus, a criação. Ele falava sobre as vidas contidas em tudo o que ele era. Quando a exatidão de seus verbos se esvanecia em confusão, era sinal de seu espírito já envolto em sono. Ela pressentia o adormecer e lhe acariciava o rosto. Quais direções tomaria aquela liberdade?


Muito atormentada por seus problemas, um dia ela disse a um colega:


- Se isso acontecer, a questão é que minha vida ficaria parada, estagnada.


E ele lhe respondeu:


- Mas me diga, pra onde ela anda? Pra onde ela se move?

O Menino na Laje*



Olha o menino na laje, à toa
Meus quereres distrai
Seu olhar me enfeitiça e voa
onde o tempo não vai

Doura a pele no sol que invade
o caos dos seus temporais
Guarda um quê de saudade e arde
o beijo que o tempo não traz
o beijo que o tempo não traz

Olha o menino na laje, à toa
meus quereres atrai
Seu olhar me cruzou pelas ruas
me guardou onde vai

Segue ao encontro da lua, acende
a luz nos meus temporais
Sem dizer algo mais me rende
no beijo que o tempo me traz
no beijo que o tempo me traz
no beijo que o tempo nos traz
no beijo que o tempo nos traz

*Inspirada em alguém que, por acaso ou destino, cruzou o meu caminho pelas ruas de Santa Tereza, e me inspira a parar de buscar, e apenas ser.