segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Um Poema de Borges

Escrituras de luz investem na sombra, mais prodigiosas
que meteoros.
A alta cidade incognoscível avança sobre o campo.
Certo de minha vida e de minha morte, fito os ambiciosos
e tento entendê-los.
Seu dia é ávido como o laço no ar.
Sua noite é trégua da ira no ferro, prestes a atacar.
Falam de humanidade.
Minha humanidade está em sentir que somos vozes
de uma mesma penúria.
Falam de pátria.
Minha pátria é um lamento de guitarra, alguns retratos
e uma velha espada,
a desvelada prece dos salgueiros nos fins de tarde.
O tempo está vivendo-me.
Mais silencioso que minha sombra, cruzo o tropel de sua
exaltada cobiça.
Eles são imprescindíveis, únicos, merecedores da manhã.
Meu nome é alguém e qualquer um.
Passo devagar, como quem vem de tão longe que não
espera chegar.

Jorge Luis Borges

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Céu


No céu dos teus olhos
Pairam as cores de um instante
Fugazes como ondas vêm
Desafiam meus alcances
Como teia
Envolve meu corpo incendeia
Desvenda os meus poros
e clareia
as sendas do amor
Sem aviso
Onde vais a levar os meus sentidos
Por quais mares meus olhos vão contigo?
Não sei
Entre as linhas dos desejos
Vão-se as horas
e eu não quero mais voltar
Move em tuas mãos
Os rastros do sol que em ti evoca
Mistérios de um ardor que vem
e pulsando me provoca
Me rodeia
Envolve meu corpo incendeia
Desvenda os meus poros
e clareia
As sendas do amor
Sem aviso
Onde vais a levar os meus sentidos
Por quais mares meus olhos vão contigo?
Sem direção
Desatino
E me deixo levar por teus caminhos
Quais?
Não sei

domingo, 23 de outubro de 2011

Casca de Nós


Repousa o silêncio
Na casca de nós
Onde desatamos versos
Desvela-se a voz
Do universo
Que habita a noz
A voz do universo
Que habita a noz
Que habita a noz
Que habita a noz
Que habita a noz
Ponteiros inversos
Poeira de nós
Onde o começo
Do fio da voz?
Do universo
Que habita a noz
A voz do universo
Que habita a noz
A voz do universo
Que habita a noz
Que habita a noz
Que habita a noz
Que habita a noz