segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Mais uma canção (incompleta)

Viva o tanto que te aprecio
nas batidas do meu coração
Apague as velas
enquanto silencio
Me deixe morrer em vão

Viva o tanto que te aprecio
nas batidas do meu coração
Esqueça as trevas
Enquanto silencio
Que eu sou de morrer em vão
Que eu sou de morrer em vão

domingo, 4 de dezembro de 2011

Pedestre em Brasília*


Abre a porta do seu carro e vem
Larga a mochila, o I-phone também
Espera me diz onde cê vai me levar
No facebook vou compartilhar
Deleta a notícia da cabeça e veja
o céu a te abraçar onde quer que esteja
Veja os ipês em seus múltiplos tons
E os tons dos passarinhos
Desenhando canções
O horizonte a alargar a vista
Um botão que cerrado se anuncia
Vamos correr e alugar um balão
Pra ver a cidade sem os pés no chão

Seis horas, se liga, bate o ponto e vem
Esquece os ofícios, memorandos também
Estou atrasada para ir pra casa
Não dou conta do rush nessa Esplanada
Larga o carro e vem a pé comigo
Venha que o céu vai te dar abrigo
Adentra as cores do sol a se pôr
As nuvens em volta de uma nave em flor
Tira o sapato sem qualquer frescura
O vermelho da terra completa a pintura
Vamos correr e alugar um balão
Pilotar a cidade sem os pés no chão

*Uma música pra dizer que é possível ser pedestre em Brasília, com um pouco de poesia

Resposta a um Fraseado Musical*

A pele dos meus sonhos
habita uma canção que vai e vem
Ao me sussurrar desperta
Envolve-me no tempo e vai além

Onde vejo o céu cheio de estrelas
um banco, um carinho, um violão
Esse lento dedilhar
que nos fazia azuis
azuis da cor do mar
azuis da cor do mar
azuis do nosso olhar

*Rascunho para o Projeto Passos, inspiração in Um Fraseado Musical para o MinC

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Rascunhos

"Podemos criar laços sem amarras?"

A voz ecoava no interior de Catarina, enquanto seus olhos deitavam lembranças sobre a rua deserta. Do outro lado do prédio onde morava, vidas se moviam na mudez de suas solidões. O catador colhia pedaços de nada no contêiner, acompanhado de um cavalo cansado. O vazio se desenhava na quietude de todas as coisas, assumindo a forma dos últimos rastros de sol.
Os pensamentos sobrevoavam a sua percepção de realidade. Desviou o olhar do céu quase noite e voltou-o para o sofá. Tocou suas dobras, sentiu o desejo quase inelutável de abraçar o passado latente. "Sim, podemos criar laços sem amarras." A resposta veio na forma de um leve conduzir, abrir as portas, adentrar os labirintos das sensações. Desvendar a eternidade guardada em cada pulsação.


Era um hábito conversarem sobre o universo depois de fazerem amor. Catarina perguntava sobre as energias, os espíritos, Deus, a criação. Ele falava sobre as vidas contidas em tudo o que ele era. Quando a exatidão de seus verbos se esvanecia em confusão, era sinal de seu espírito já envolto em sono. Ela pressentia o adormecer e lhe acariciava o rosto. Quais direções tomaria aquela liberdade?


Muito atormentada por seus problemas, um dia ela disse a um colega:


- Se isso acontecer, a questão é que minha vida ficaria parada, estagnada.


E ele lhe respondeu:


- Mas me diga, pra onde ela anda? Pra onde ela se move?

O Menino na Laje*



Olha o menino na laje, à toa
Meus quereres distrai
Seu olhar me enfeitiça e voa
onde o tempo não vai

Doura a pele no sol que invade
o caos dos seus temporais
Guarda um quê de saudade e arde
o beijo que o tempo não traz
o beijo que o tempo não traz

Olha o menino na laje, à toa
meus quereres atrai
Seu olhar me cruzou pelas ruas
me guardou onde vai

Segue ao encontro da lua, acende
a luz nos meus temporais
Sem dizer algo mais me rende
no beijo que o tempo me traz
no beijo que o tempo me traz
no beijo que o tempo nos traz
no beijo que o tempo nos traz

*Inspirada em alguém que, por acaso ou destino, cruzou o meu caminho pelas ruas de Santa Tereza, e me inspira a parar de buscar, e apenas ser.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Um Poema de Borges

Escrituras de luz investem na sombra, mais prodigiosas
que meteoros.
A alta cidade incognoscível avança sobre o campo.
Certo de minha vida e de minha morte, fito os ambiciosos
e tento entendê-los.
Seu dia é ávido como o laço no ar.
Sua noite é trégua da ira no ferro, prestes a atacar.
Falam de humanidade.
Minha humanidade está em sentir que somos vozes
de uma mesma penúria.
Falam de pátria.
Minha pátria é um lamento de guitarra, alguns retratos
e uma velha espada,
a desvelada prece dos salgueiros nos fins de tarde.
O tempo está vivendo-me.
Mais silencioso que minha sombra, cruzo o tropel de sua
exaltada cobiça.
Eles são imprescindíveis, únicos, merecedores da manhã.
Meu nome é alguém e qualquer um.
Passo devagar, como quem vem de tão longe que não
espera chegar.

Jorge Luis Borges

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Céu


No céu dos teus olhos
Pairam as cores de um instante
Fugazes como ondas vêm
Desafiam meus alcances
Como teia
Envolve meu corpo incendeia
Desvenda os meus poros
e clareia
as sendas do amor
Sem aviso
Onde vais a levar os meus sentidos
Por quais mares meus olhos vão contigo?
Não sei
Entre as linhas dos desejos
Vão-se as horas
e eu não quero mais voltar
Move em tuas mãos
Os rastros do sol que em ti evoca
Mistérios de um ardor que vem
e pulsando me provoca
Me rodeia
Envolve meu corpo incendeia
Desvenda os meus poros
e clareia
As sendas do amor
Sem aviso
Onde vais a levar os meus sentidos
Por quais mares meus olhos vão contigo?
Sem direção
Desatino
E me deixo levar por teus caminhos
Quais?
Não sei

domingo, 23 de outubro de 2011

Casca de Nós


Repousa o silêncio
Na casca de nós
Onde desatamos versos
Desvela-se a voz
Do universo
Que habita a noz
A voz do universo
Que habita a noz
Que habita a noz
Que habita a noz
Que habita a noz
Ponteiros inversos
Poeira de nós
Onde o começo
Do fio da voz?
Do universo
Que habita a noz
A voz do universo
Que habita a noz
A voz do universo
Que habita a noz
Que habita a noz
Que habita a noz
Que habita a noz

sábado, 10 de setembro de 2011

Vejo-me aqui, diante desses vitrais. Eu queria desmanchar tudo o que sou em telas, desfazer todo o aparente equilíbrio. Desvendar os limites entre a sanidade e a loucura. Sinto-me tão sufocada, quase como abafado um grito. Parece que volta a imperar a desconexão. Minha mente me sobrevoa em círculos, e parece não ter mais chance de volta. O Presente, uma impossibilidade.

sábado, 2 de abril de 2011

Retalhos de Luz


E subitamente tudo aquilo em que você acreditava renasce... e as verdades inerentes a esse tu emergem... e você se debruça sobre a janela e é quase como alcançar o ceu. E sente que mesmo envolta em sombras há sempre uma glória a despertar de cada fragmento de realidade. E agora já é quase capaz de tocá-la. Ao menos entende que pode. Mesmo essa fúria é apenas um passo. Em breve algo maior se fará. Assim seja.

quinta-feira, 10 de março de 2011

DEFINICIÓN DEL AMOR (Lope de Vega)

Desmayarse, atreverse, estar furioso,
áspero, tierno, liberal, esquivo,
alentado, mortal, difunto, vivo,
leal, traidor, cobarde y animoso,



no hallar, fuera del bien, centro y reposo;
mostrarse alegre, triste, humilde, altivo,
enojado, valiente, fugitivo,
satisfecho, ofendido, receloso.



Huir el rostro al claro desengaño,
beber veneno por licor süave,
olvidar el provecho, amar el daño;



creer que un cielo en un infierno cabe,
dar la vida y el alma a un desengaño:
esto es amor. Quien lo probó lo sabe.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Processos Reflexivos

A partir de hoje escreverei sobre ti. Descobri que não consigo te alcançar como eu sempre desejei, enquanto eu simplesmente me deixo afogar por teus delírios - embora tantas vezes alucinantes e sedutores - e os incorporo em primeira pessoa. Também não adianta te tratar em terceira pessoa, como um eu distante que desenvolve suas ações diante de meus olhos.

Sou parte de ti. Mas destaco-me agora para me relacionar em diálogo. Assumo os riscos de uma compaixão nunca antes experimentada, para te resgatar dessas teias por onde teu corpo vem se perdendo. Não falemos de alma, por enquanto. Desprendamo-nos um pouco dessa realidade infinita para apenas focar nesse conjunto de células, que efetiva a existência nesta dimensão.

Ontem alguém lhe recomendou que você caminhe, percebendo seus pés no chão. Percebendo o mundo à sua volta. As borboletas azuis e os calangos muito verdes no parque. As epifanias diárias que rondam cada instante.

“A vida é uma alucinante aventura da qual jamais sairemos vivos”, dizia um tal Bob. “Nunca se leve tão a sério”, cantava um tal Lenine. E você concordava em silêncio, abraçando a íntima suspeita de jamais conseguir alcançar tamanha liberdade.

Eu me proponho a compartilhar contigo essas dores. A ajudar-te a descobrir onde teus laços com a existência se desfiguraram em amarras. A propôr as alquimias diárias que te ajudem a bordar novos laços. Reencontrar um eixo para teus pés. Onde eles sem medo e sem névoas caminhem. Soltos do ceu para desenhar infinitos.

Sobre Rios, Nuvens e Pessoas (autor anônimo)

Tenho uma boa história para contar. Imagine um riacho descendo do alto da montanha. Ele é muito jovem e quer correr. Seu objetivo é o oceano. Quer chegar lá tão rápido quanto possível. Quando alcança as planícies e o campo, fica mais lento. Se torna um rio. Fluindo lentamente, começa a refletir as nuvens e o céu. Há muitos tipos de nuvens, com diferentes formas e cores, e o rio passa todo o tempo as perseguindo, uma depois da outra. Mas as nuvens não ficam paradas. Elas vêm e vão. O rio chora muito, porque nenhuma das nuvens fica com ele para sempre. As coisas são impermanentes. Ele sofre devido a sua atitude e comportamento.

Um dia um vento forte limpou todas as nuvens e o céu ficou extremamente azul. Não havia absolutamente nuvens. O rio pensou que a vida não valia a pena ser vivida mais. Ele não sabia como desfrutar do céu azul. Ele o via como vazio, e sentia que a vida não tinha significado. Esta noite ele quis se matar. Como pode um rio se matar? De alguém não é possível se tornar ninguém. De algo não é possível se tornar nada. Durante aquela noite ele chorou muito. Este é o som da água batendo nas margens. Esta foi a primeira vez que ele voltou-se para si mesmo.

Até agora, ele tinha apenas corrido para fora de si mesmo. Ele pensava que a felicidade estava fora, não dentro. A primeira vez que voltou a si mesmo e ouviu o som de suas lágrimas, ele descobriu algo. Ele não sabia que um rio era feito de elementos não-rio. Ele estava perseguindo nuvens, pensando que não poderia ser feliz sem elas, e não percebeu que ele era feito de nuvens. O que ele estava procurando já estava dentro dele. Felicidade é assim. Se você sabe como voltar ao aqui e agora e perceber os elementos de sua felicidade que já estão disponíveis, não precisa mais correr.

De repente o rio percebeu que havia algo refletido nele: o céu azul. Ele vê o quão pacífico, sólido, livre e bonito o céu é. Ele não tinha percebido antes. Ele sabe que sua felicidade deveria ser feita de solidez, liberdade e espaço. Ele é preenchido de felicidade porque pela primeira vez soube como refletir o céu. Antes, ele havia somente refletido as nuvens e ignorado completamente o céu. Esta foi uma noite de transformações profundas. Todas as lágrimas e sofrimento foram transformados em alegria, solidez e liberdade.

Na manhã seguinte não havia vento. As nuvens retornaram. Agora ele as reflete sem apego com equanimidade. Ele diz “Oi” cada vez que uma nuvem aparece. Quando a nuvem se vai, ele não fica triste. Ele achou a liberdade. Ele sabe que a liberdade é a fundação da sua felicidade. Ele aprendeu a parar e não correr mais. Naquela noite algo maravilhosos se revelou. A imagem da lua cheia foi refletida. Ele está muito feliz dando as mãos para as nuvens e a lua, praticando meditação caminhando para o oceano. Cada passo, feito em conjunto com as nuvens e a lua traz ao rio muita felicidade.

Cada um de nós é um rio. Começamos como um regato descendo do alto da montanha, querendo correr o mais rápido possível. Então aprendemos como ficar mais lentos um pouco, e começamos a perseguir objetos de nosso desejo. Sofremos. Às vezes sofremos tanto que não queremos nem mais existir. Então temos a chance de voltarmos para nós mesmos e refletir profundamente. Percebemos que o objeto de nosso desejo é a causa de nosso desespero e das nossas aflições. Todos os elementos da felicidade estão disponíveis no aqui e agora. Temos tudo que precisamos. De repente conseguimos o tipo de liberdade que nunca tivemos e somos capazes de viver cada momento de nossa vida diária profundamente. Como nos tornamos um rio feliz, podemos ajudar muitos rios a nossa volta a se tornarem felizes também.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Expectativas (Autor anônimo)

Alguém podia nos ensinar a eliminar essa palavra dos nossos dicionários ainda na alfabetização!
O mundo seria tão melhor sem ela.
As pessoas seriam tão mais felizes sem ela.
Mas que diabo de neurose humana é a mania de esperar que todo mundo
corresponda àquilo que achamos certo e bom?
Ainda estou a procura de pessoas que consigam colocar isso em prática e me disponho a ensinar, rsrs.
Aposto que seremos todos mais felizes e descontraídos.
Me responda o que tem de bom em:
- Viver sob a expectativa de alguém?
- Esperar algo de outra pessoa?
Não é mais divertido encarar que tudo o que lhe derem é lucro e ponto final?
Esse mal da expectativa acomete mais ferozmente aqueles que decidiram se tornar um casal.
Primeiro decidiram colocar um rótulo na relação que ia de “vento em popa”!
Se já não bastasse quererem colocar um carimbo de propriedade sobre a outra pessoa, ainda esperam que com esse “carimbo” seja selado um contrato que determinará, a partir de então, como a outra pessoa deve agir no dia-a-dia.
O contrato diz claramente: Chegou a hora de abrir mão de sua individualidade em “prol” da relação!Tenho a impressão de que esse mal atinge as mulheres de uma forma mais avassaladora.
Vai ver é por que disseram que quando crescessem, elas teriam de encontrar um cara legal para casar e ter filhos.
Aí as coitadas passam a vida esperando pelo príncipe encantado e enquanto ele não aparece, ficam tentando transformar os sapos no meio do caminho.
Que coisa de doido!
Eu proponho uma coisa: uma semana de mudança completa das suas atitudes.
Não espere nada de ninguém. Faça você.
Gandhi disse o que eu considero uma das frases mais sábias do mundo:
“Seja você a mudança que deseja ver no mundo!”
Fantástico não?
Traduzindo pode ser:
Se espera que alguém vá te ligar, não espere. Ligue.
Ser quer carinho. Abrace alguém.
Se quer mais amigos, cultive-os todos os dias.
Fique feliz com a chuva, mesmo gostando mais de sol!
Que tal treinar isso por uma semana?
Tenho certeza que será, no mínimo, divertido
Tenha uma ótima vida

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011


Decreta-se que nada será
obrigado nem proibido
tudo será permitido.
Sobretudo brincar
com os rinocerontes
e caminhar pelas tardes
com uma imensa begônia
na lapela
Só uma coisa fica proibida:
AMAR SEM AMOR.

Thiago de Mello

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Assim me veio*


Aquece as verdades
Pressente o vento
Goteja o desejo
Esgota

*Observando a lua, ao som de Parijat

domingo, 16 de janeiro de 2011

Gavetas



Andou pelos montes
Subverteu imagens
Abraçou as nuvens
Relampejou verdades
Ancorou as dores
Coroou amores
Sustentou as luzes
Festejou as vozes
Semeou coragens
Esqueceu acordes
Adotou os quases
Adentrou o quarto
Escutou as brechas
Abriu as gavetas
E foi feliz

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Canções através do tempo


Resolvi abrir o ano de 2011 publicando as letras de algumas músicas que escrevi desde 1999, quando comecei a me aventurar na arte da composição. Iniciei as postagens com a última, recém-saída do forno, Delírios Noturnos (o título ainda é provisório) e encerro com a primeira, Perdoe os erros, dos idos dos meus 17 anos.

Não são muitas, mas expressam sentimentos vários que povoaram meu coração em alguns momentos da vida. E o eterno romantismo da minha alma canceriana (risos). Lembrando que em 2007 também fiz a postagem de uma música composta naquele ano, Centelha, http://vitraisdotempo.blogspot.com/2007/09/nova-criao-centelha.html.

Como o mundo mudou tanto e tão rápido desde a 1ª, com as facilidades do mundo tecnológico e um pouco mais de maturidade e coragem de arriscar, espero em breve poder postar o áudio de cada uma.

Perdoe os erros (1999)


Na sala o perfume
que não se esquece
Em minhas lembranças
só um alguém aparece

Na estante retratos
tempo que passou
presentes carinhos
poemas de amor

As orquídeas murcharam
quem as deu não está
Perdoa os meus erros
e venha me amar

Posso dizer mentiras e fazer bobagens
É você quem manda no meu coração
Posso dizer mentiras e fazer bobagens
é você o dono da minha paixão

Erros eu sei que abrem feridas
palavras vazias
da alma inimigas
Perdão, amor, confesso que errei
por que não me diz
"tente outra vez?"
Amor humano não tem jeito não
mas mesmo imperfeito busca a perfeição

Posso dizer mentiras e fazer bobagens
É você quem manda no meu coração
Posso dizer mentiras e fazer bobagens
é você o dono da minha paixão

Não me leve a mal
só quero você
te amo demais
só você não vê
Erros eu sei que eu cometi
mas me dê uma chance de te ver sorrir

Anjo (2000)


Leve-me daqui entre risos e lágrimas
Em tuas asas
Pétalas para abrigar lindos sonhos
Sonhos são flores nos jardins da vida

Sou uma borboleta
bailo em tua graça
vem enlaça
minh'alma em teu sorriso de luz
cândido anjo vem me abençoar

Anjo
Anjo vem
Anjo
Anjo vem
Anjo
Anjo

Leve-me daqui entre risos e lágrimas
Em tuas asas
Pétalas para abrigar lindos sonhos
Sonhos são flores nos jardins da vida

Não me deixe só
pois sou tua criança
Vem me encanta
sou estrela do mar perdida nas areias
do teu coração
coração
coração

Anjo
Anjo vem
Anjo
Anjo vem
Anjo
Anjo

Se eu pudesse ser Deus (2000)


Hoje acordei lembrando do teu rosto
Lembrando do teu beijo
Sentindo o teu gosto
Andando pelas ruas da cidade cinza
Tantas gentes, caras, múltiplos destinos
Desejando entre tantos ver tua face
Olhos que me cegam num doce enlace

Ah se eu pudesse ser Deus recruzava
as linhas do nosso destino
Ah se da vida eu fosse a roteirista
o mundo inteiro dispensava
faria dela um filme de amor e de nós
os protagonistas

Me pergunto onde está você agora
A solidão machuca meu coração chora
Queria não precisar do seu carinho
Mas sou como uma ave e teus braços meu ninho
Só mais uma vez queria poder vê-lo
Sentir as tuas mãos passeando em meus cabelos

Ah se eu pudesse ser Deus recruzava
as linhas do nosso destino
Ah se da vida eu fosse a roteirista
o mundo inteiro dispensava
faria dela um filme de amor e de nós
os protagonistas

Eclipse (2005)


Cegos os dedos correm
pelos lençois a te procurar
sede que me devora
no teu desejo de se ocultar

Sobre teu corpo espraio as mãos
na certeza de entender
o verso que me conduza
ao jeito certo de prender

Me leva
Me leva
Me leva

Sombra tatuada
no peito aberto ao teu querer
Virgem do seu toque
a pele tarda a te esquecer


Me leva
Me leva
Me leva

Onde habitarão os teus desejos
Que espaços encherão tuas marés
Feitiço desse olhar em que espelho
A ânsia que me faz mulher


Me leva
Me leva
Me leva

Esfinge (2003)


Estrela
da natureza
dos teus presságios
tão ancestrais

Traz
o teu perfume como incenso
e joga como veu
Nas sombras luz
revela teus mistérios
Vai nas cachoeiras
das tuas paixões
tão verdadeiras
Ergue
mesmo das sombras tua beleza
Então mostra quem és
Devora quem
não te decifra
Então digo quem és

És
toda a grandeza
de um ser humano e imortal
Finge
tão soberana que me olhas
Então joga teu veu
Vela o mistério
que te evoca

Então digo quem és

Brisa (2004)


Olha a direção da brisa
como vem e traz
o teu perfume avisa
são os teus sinais
e vai seguir os rumos do meu coração
Áureo como um tesouro
onde está o teu
Segue como um canto leve
ao anoitecer
E cobre com teu manto
a me aquecer
Às tuas mãos me entrego
e deixo levar
naquela voz suave
a me ninar

Aiiiaeeeô
Aiiiaeeeô

Senta aqui sob as estrelas
e faz esquecer
as noites tão escuras
antes de você
No teu afago cura
os meus medos e
me ama com teu canto a me sorrir


Aiiiaeeeô
Aiiiaeeeô

Canta que eu me deixo entregue
ao teu enfeitiçar
como um barco solto
nas ondas do mar
E vai seguir as notas de uma só canção
Daquela voz suave a me encantar

Aiiiaeeeô
Aiiiaeeeô

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Sol Nascente (2002)


Canto, firo, fito a dança, calo
Caro é dor que explode
e me sucumbe no não ser
Quero colo
cela que me prende
sela aqui o pacto de nos ser

Seja assim tão lindo
Vem sorrindo, vem me vindo
Vela o barco
Volve esse temer

São espinhos
São caminhos
São Jorge me guarda esse querer
Leva leva me releva a treva
Me leva no sol nascente

Como eu te quero
Como eu te quero

Revelo os eus
Releva os breus
Só te entendo
porque só me vendo
Tempo só lhe dão
Quando estás só dentro de si
Meu relógio
forjo no escuro
Subo os muros, grito

Como eu te quero
Como eu te quero

Vocal

Só te entendo
porque só me vendo
Tempo só lhe dão
Quando estás só dentro de si
Meu relógio
forjo no escuro
Subo os muros, grito

Como eu te quero
Como eu te quero

Leva leva me revela em vela
Vela o meu veloz
Que te revelo, releva
Amor te calas
No peito reparas
A morte por não te ser

Como eu te quero
Como eu te quero

Vocal

Janela Aberta (2003)


Quando vi o teu olhar perdido
Na vaga impressão
De que nem teus sonhos
Te pertenciam, baby
Da janela vi teus passos
Escrevendo acasos
Como um verso impresso
na minha solidão

Vem aqui
me dá tua mão me salva
Liberta a minha alma
Vem aqui

Tua voz perdida em meio
aos que não se pertencem
Devolveu-me o chão no instante
em que nem pés eu tinha
E como uma janela aberta
ao que eu não entendia
O teu silêncio era a verdade
que eu não queria ouvir

Vem aqui
Acende a luz me salva
Devolve a minha alma
Que foi junto de ti
Vem aqui
Me dá tua mão me salva
Volta

Da janela vi o sol surgir
em plena madrugada
me deu medo mas era você
em face iluminada
E vi nós dois
como num sonho bom, real
mundo novo

sábado, 8 de janeiro de 2011

Delírios noturnos (2011)


Sei dessas ruas, dessas veias noturnas
Onde correm tuas horas
Se dedilham tuas rotas
E vão
Além
Sombras que transitam pelos vãos da memória
Teus domínios margeiam, o silêncio devoram
E seguem
Além

Carrossel
A girar
Por teus ceus
Onde irá

Sei dessas fúrias, dessas vias soturnas
Onde vão teus anseios
Se revelam sem freios
E seguem
Além

Sombras de desejos que se perdem na história
E do ventre lampejam desatinam demoram
O passo
Que não se dá

Carrossel
A girar
Por teus ceus
Onde irá