domingo, 23 de setembro de 2007

Saudade



Brasília, 23 de setembro de 2007.

Poxa, fiquei um bom tempo sem postar nada... mas me policiarei pra alimentar este espaço com mais freqüência, pois é uma forma de exercitar o espírito, através das palavras. Não tive como não transbordar agora o tanto de saudade que me invadiu nesses últimos dias. Aí vai:


Saudade

Quando as ruas não lembram amores
Quando não há um mar que arrefeça o calor
Quando a distância do mar não tem as cores de um subúrbio
Quando as canções fazem o corpo desejar lugares
Quando as teclas do piano evocam o tom
da poesia que nasceu na boemia dos bares
e cantou o dourado da moça
a desfilar nas areias
Quando não há dois morros onde se aninhe o sol
a ceder lugar à noite
Quando não há uma baía onde a lua
se dissolva em rastros de prata
entre barcos
E não há o bonde, e não há os arcos
a cinelândia e o municipal
quinquilharias no saara, barracos
e o relógio da Central
Quando o caminho do trabalho
não tem a paisagem dos contrastes
E nas entrelinhas de cada alegria
lateja sempre uma ausência
e o coração a buscar
uma cidade

Um comentário:

Anônimo disse...

Juliana
Ao terminar de ler o seu poema/saudade do Rio, senti a mesma coisa,embora seja natural de outros tempos e vidas. Mas, como a memória é mais traiçoeira que qualquer tradução, às vezes fico na dúvida se as minhas lembranças são fiéis ao que foi, ou gentís modo de corrigir o que não tem mais jeito. De qualuer modo, com veracidade ou não, adoro lembrar.
Beijocas
Pedro