sábado, 13 de novembro de 2010

Por uma salvação


Da janela do quarto, a experiência da lua não era já a mesma. Os dedos que antes roçavam apenas resignados a tela de aço clamavam agora por mais. Desejavam espraiar-se pelos ares. Tocar a epiderme das verdades.

Sentiu novamente aquele vento a esmagar-lhe as entranhas. A invadir-lhe cada órgão mediante os poros. A sugar-lhe qualquer vestígio de não entrega. A oferecer-lhe o arrepio de um desassossego permanente. A exaustão que impede o pensamento.

Do alto da grande rocha, avistou seus abismos.

e alcançou

para sempre

a imensidão

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