
Brasília, 30 de julho de 2007.
A voz de ébano ocupava os espaços da esplanada. Deixando-se esvair pela multidão, fazia a ponte entre o céu e o vermelho da terra: o cerrado a celebrar a voz, entre os traços de Niemeyer. Enquanto das mãos de uma catedral a lua apontava o encerrar do dia, as gentes de todo o canto em uníssono, a cantar a tonalidade da noite. Evocando paisagens, origens, viveres. Desejos.
Leoa negra a ressoar pegadas de longe. A emergir, peixes, colares e sapatos de uma feira. Natural luz sobre a seca. E que deste centro transbordará seus mares contidos, por outras terras. Não pedirá licença a quem, sem aviso, a ela se permitir entregar. A estes caberá sentir, como se extensões daquele peito em erupção de liberdade.
À tona de seus abismos, a voz deixa em cada pele uma marca, um presságio, um carinho. Saúda um coro ainda quase virgem de seu nome, mas jamais de seus efeitos. É a noite que avança em busca de outras vozes, mas já batizada por Ellen Oléria.
*texto criado após um show da cantora Ellen Oléria, de Taguatinga, um dos talentos destas bandas
Nenhum comentário:
Postar um comentário