
Brasília, 28 de agosto de 2007.
Desaprendemos a arte da despedida. Perdemos a coragem de, em face da pessoa com quem se compartilhou uma história, relatar a seus olhos os motivos de se retirar de sua vida. Se a proximidade facilita o encontro, mais fácil esquivar-se, procurar saída nas brechas do cotidiano. Se a distância é aliada, basta reagir com indiferença às interrogações perdidas na caixa de e-mail, enxergar como um nada as mensagens mandadas pelo celular, ouvir o toque do aparelho como quem aprecia um espetáculo onde não há aplausos.
Para quem chama, insiste, questiona, resta a resignação da espera. E a difícil descoberta de que o mundo também exige uma resposta, cuja gênese estará no sufocamento da dor. Já não há o tempo de chorar com perdas, com a beleza perdida nos momentos vividos. Há que se anestesiar a urgência do espírito e descartar as vivências, antes que elas sobrevivam a nós.
As não-respostas se configuram em reticências, que oferecem o mundo das possibilidades, das indagações. Mas quase sempre melhor o rasgo completo de um ponto final do que a dor permanente de uma dúvida
*Texto de autoria de Ju Santana, postado no outro blog, http://seretempo.blogspot.com, no dia 23 de junho de 2005
2 comentários:
Ju,
Que lindo! Verdadeiro! Todos se comportam assim. É impressionante como as pessoas fogem das relações e dos momentos significativos. Vivenciei isto na minha despedida de Brasília e vc sabe muito bem com quem.Fugiu, fugiu para não se despedir. E eu, vc e ele sabemos e vemos no nosso cotidiano o imenso carinho que sentimos um pelo outro. Você é testemunha.
Hoje foi um exemplo de "é melhor ignorar que é aniversário dela". Tenho certeza.
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