
O tempo já há alguns anos tem se constituído em uma questão interessante para mim. Não digo desde sempre, porque acho que na fase da infância ele se mostra como uma vastidão impossível de se alcançar. Às vezes, lá pelos 13 anos, quando certas inquietudes principiavam a aflorar, me pegava pensando “quando eu tiver 20, 20 e poucos anos, farei tais e tais coisas”. Os trinta, quarenta, cinqüenta, nem sequer passavam pela minha cabeça. Eram como uma impossibilidade.
E hoje, cá estou, com meus 25 anos, quase 26. Quase uma balzaquiana (risos). Encarnando com perfeição as dúvidas em versos: “Twenty five years and my life is still tryring to get up that great big hill of hope, for a destination...”
But, “What's up”?!!!
Estranho ver como as dimensões do tempo se tornam cada vez mais estreitas, quando em tese ainda há tanto a viver. Ao mesmo tempo, a gente pensa em fatos passados como se tivessem ocorrido ontem, e ao fazer as contas lá se vão quatro, cinco, dez anos. Uau!
Fruto do tempo, a liberdade. A liberdade, esse privilégio do qual ainda não nos convencemos a ser donos. Vivemos hoje o paradoxo de sermos escravos da própria liberdade que construímos. Ou de nós mesmos, que não sabemos usá-la? O que deu errado para nós, agora loucos desvairados que não sabem para onde apontar seus próprios desejos?
Mais fácil buscar a felicidade provisória na equação trabalhar+consumir do que em algo muito mais complexo, que se traduz em: desnudar-se, diante da vida. De afirmar para si mesmo, diante do espelho: nada é meu, nada é estável, nada me pertence. Mas eu estou disposto a correr todos os riscos, a lutar pelo que acredito, a ouvir o canto dos pássaros, a desafiar as vozes que não me dão outra alternativa senão seguir regras. Como se viver se limitasse a uma receita de bolo.
Correr o risco de se entregar em oferta, diante do milagre da vida. Em uma felicidade sofrida, difícil, por vezes triste, mas ainda assim felicidade. Perene. Repleta de sentido. Regozijando em seus sentidos. Vigorosa em sua fúria criativa.
Capaz de olhar para dentro. E ver no dentro, o outro em espelho.
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